A Casinha Feliz
MOMENTOS MARCANTES DO MÉTODO IRACEMA MEIRELES

 

 

1950

O Método Iracema Meireles começou ser concebido, no Rio de Janeiro, a partir de reflexões e estudos decorrentes da experiência de alfabetizar um menino portador de dificuldade de aprendizagem.

 

1952

Iracema Meireles fundou com Nícia Macieira o Jardim de Infância Santa Ignez, hoje Instituto Nícia Macieira, em Lins de Vasconcelos. Ali começou a experimentar caminhos que trouxessem maior consistência à sua pesquisa no trabalho de alfabetização em grupo. (Campos,2002).

 

1954

No propósito de fazer da sala de aula o espaço da aprendizagem que fosse também o espaço da descontração, da criatividade e da livre expressão, Iracema fundou, em Ipanema (Rio de Janeiro) a Escola de Brinquedo. Ali a alfabetização se desenrolava no teatrinho de bonecos.

 

1961

Escola Pública do Estado da Guanabara abre suas portas ao novo método: Escola Artur Ramos, sob a direção da Professora Francisca Horácio. A notícia chegou à chefia do Distrito Educacional e a escola ficou sob observação.

A Escola Parque Proletário da Gávea, sob a direção da Professora Sylvia Carmen Leite Alves, adere ao método que está dando ótimos resultados na escola Artur Ramos. A chefia do Distrito Educacional envia relatório à Escola Guatemala que era o centro de estudos e de experiências pioneiras do Estado. A notícia chega ao  Instituo Nacional de Estudos Pedagógicos do Ministério da Educação e Cultura - INEP/MEC.

 

1962

O INEP encarregou uma comissão chefiada pela Professora Consuelo Pinheiro de emitir um parecer sobre o método observando o trabalho das duas escolas.

Iniciou-se, em caráter experimental, o trabalho com adultos, uma adaptação do mesmo método, nas antigas favelas da Catacumba e da Praia do Pinto.

 

1963

Com base no parecer do INEP, em face dos resultados obtidos com as crianças das escolas públicas da Guanabara, a Professora Carmen Spindola Teixeira, diretora do Centro Educacional Carneiro Ribeiro, Salvador, BA, levou o método para a famosa Escola Parque, na Bahia.

Anísio Teixeira e a primeira edição da Casinha Feliz - Como conseqüência da experiência positiva na Escola Parque da Bahia, saía, no final do mesmo ano, a pedido do Professor Anísio Teixeira, a primeira edição da Casinha Feliz, produzida pelo INEP/ MEC. A cartilha foi publicada com o nome de História da Casinha Feliz, em 3 volumes, 4 cores, ilustrada por Aldemar d`Abreu Pereira. Não podia ser vendida.

“Os professores das turmas A, isto é, dos alunos analfabetos, orientados pelas supervisoras do Setor de Currículo e Supervisão, adotam dois métodos de alfabetização: o fônico de Iracema Meireles (Casinha Feliz) e o de contos de Maria Ivone de Araújo (Meninos Travessos). A maioria é alfabetizada pelo método fônico (de Iracema Meireles).” (Éboli, 1969)

O método na imprensa - Iracema Meireles apresentou seu método, pela primeira vez na imprensa, em entrevista à Revista do Ensino número 90, publicação da Editora Globo do Rio Grande do Sul: ...Como considerar novo o nosso método se, durante mais de dez anos, nós o aprendemos, nós o estudamos em um livro imenso e belo – a criança? Nosso era só o empenho, o propósito de proporcionar às crianças que aprendiam a ler e a escrever uma situação emocional boa ou mesmo ótima, se possível. Mas isso só se consegue com um mínimo de esforço de memória e um máximo de interesse...(Meireles,1963).

 

1964

Apresentação e aplicação do método no Curso de Formação de Professores Supervisores do Centro de Pesquisas Educacionais do INEP/MEC com a prática de ensino na Escola Bombeiro Geraldo Dias, no Rio de Janeiro.

 

1965

Alfabetização de adultos internos no Sanatório de Curicica. O relatório, feito pelo departamento médico, encontra-se no local.

 

1966

Alfabetização de adultos jovens do Curso Supletivo da Escola Cócio Barcellos. Os resultados estão registrados no relatório da Professora Icles Magalhães e enviados ao diretor do Supletivo, Professor Sayão, que emitiu um documento no qual afirma que o estado deve implementar “este método, que deu tão bons resultados onde tantos outros fracassaram”.

 

1967

Alfabetização de recrutas do Regimento Sampaio, na Vila Militar, no Rio de Janeiro, com a supervisão da Professora Cléa Gonçalves Duarte, Chefe do Distrito Educacional da XII Região Administrativa. O trabalho repercutiu e muitos outros quartéis, em todo o Brasil, alfabetizaram os recrutas com o método. Este fato deu origem, anos depois, à Cartilha do Soldado, uma edição especial da cartilha de adulto, adaptada ao aluno militar.

Parecer técnico -  Analisando o Método Iracema Meireles, o Professor Rocha Lima, catedrático de Português do Colégio Pedro II, assim se expressou: “... a meio caminho dos processos clássicos da soletração, da silabação e da globalização, não se acorrenta ortodoxamente a nenhum deles, porém não deixa de aproveitar, em suas grandes linhas, alguma coisa da filosofia que a cada um deles lastreia. Mas dá um passo adiante: além de assentar em recursos lúdicos sobremodo criativos, associando a imagem acústica à imagem visual por intermédio do conceito de figura-fonema, observa, com rigorosa exatidão as oposições características do sistema fonológico do idioma, o que, a meu ver, seria suficiente para assegurar-lhe a eficácia.“

 

1969

Lançada no auditório do MEC, no Rio de Janeiro, a primeira edição da Cartilha do Adulto, em preto e branco, ilustrada por Vera Tormenta e editada pelo Atelier de Arte.

 

1970

A Casinha Feliz foi para a Editora Record, onde ficou por 38 anos e 34 edições. A Cartilha do Adulto foi para a Editora Record, onde ficou por 37 anos e passou a chamar-se É Tempo de Aprender.

 

1971

Condecoração - As autoras das cartilhas A Casinha Feliz e É tempo de Aprender são condecoradas com a Medalha do Pacificador, pelos serviços prestados na alfabetização de adultos.


Os anos 1970 foram de grande expansão do método, em todo o Brasil. As cartilhas eram utilizadas em todas as camadas sociais, em escolas particulares e públicas, com crianças bem desenvolvidas e também com aquelas portadoras de deficiências.


Sua grande aceitação fez com que se multiplicassem os pedidos de cursos de orientação e acompanhamento pedagógico. As autoras precisavam atender aos professores nos locais mais distantes do país. A Editora Record mantinha uma funcionária só com a atribuição de dar suporte ao método: Professora Eunica Obino. Aos poucos, foi-se criando uma rede de professoras multiplicadoras: as professoras credenciadas. A primeira credenciada foi a Professora Sylvia Bahia Guimarães, de Salvador, BA, a pioneira deste trabalho de divulgação, capacitação e acompanhamento.

 

1972

Parecer técnico - Em parecer ao INEP, o Professor Lourenço Filho afirmou: “Há alguns anos, as Professoras Iracema Meireles e Eloisa Meireles Gesteira criaram um método de alfabetização que denominaram de fonação condicionada e repetida, cujos resultados em turmas de crianças têm sido excelentes, conforme tivemos ocasião de verificar em escolas primárias comuns.
... O material linguistico selecionado e graduado aproveita as vantagens de nossa língua, na aprendizagem em vista, quais sejam as de regularidade fonética e composição silábica, regular da maioria das palavras.
Nos países de língua de escrita fonética quase regular, como o português e o espanhol, a adoção de tal forma didática se impõe, pois desprezá-la seria como um contra-senso.“

Ministério da Educação - A Casinha Feliz foi incluída no catálogo da Fundação de Amparo ao Estudante – FAE – que financiava um programa de distribuição de livros didáticos às escolas públicas, atendendo à solicitação dos professores. No início do programa, cada professor escolhia os livros com os quais quisesse trabalhar. A Casinha Feliz era pedida por um grande número de professores, chegando muitas vezes a atingir o número de 90 mil cartilhas.

1982

Morreu, no Rio de Janeiro, Iracema Meireles.

 

1985

É Tempo de Aprender também passou a fazer parte, junto com a Casinha Feliz, da lista de livros didáticos do programa da FAE – MEC.

 

1992

Paraty, RJ - O município de Paraty criou em 1992, o Programa Especial de Alfabetização e, para tanto, promoveu a capacitação dos professores no Método Iracema Meireles. Em determinado trecho de seu relatório, o Professor Sandro Ramiro, Secretário de Educação do município, conta: ... Construímos as casinhas de bonecos do teatrinho da Casinha Feliz, os professores confeccionaram os bonecos, prepararam todo o ambiente e reaprenderam a cantar, contar histórias, a criar situações a partir da parte lúdica, da apresentação dos fonemas e a alfabetização passou a ser como uma brincadeira. Tais alunos eram alfabetizados como num passe de mágica, produziam textos, livros, histórias e seus próprios desenhos, era realmente a perspectiva de um futuro melhor que vivíamos..(1997)

 

1993

Luziânia, GO - O município de Luziânia enfrentava em 1992 uma reprovação de 90% de seus alunos das classes de alfabetização e com a aplicação do método, atingiu em 1993 a porcentagem de 96% de aprovação nessas classes. As informações estão disponíveis na Secretaria de Educação ou com a Professora Cleuza Meireles, ex Secretária de Educação.

 

1997

As cartilhas A Casinha Feliz e É Tempo de Aprender foram sumariamente cortadas do catálogo do Programa Nacional do Livro Didático – PNLD/MEC, sob a alegação  de conterem erros conceituais. Nesta época, o MEC só aceitava cartilhas auto denominadas construtivistas. Como o nosso método é fônico foi excluído.

 

1999

A Casinha Feliz e É Tempo de Aprender saíram da Editora Record para a Editora Primeira Impressão.

Pirapora, MG - O município de Pirapora realizou uma experiência de alfabetização bem sucedida, quando reuniu todos os professores e fez uma consulta:  diante do triste quadro de evasão escolar e defasagem idade/série, que método  usar para alfabetizar? Os professores votaram e A Casinha Feliz foi escolhida. O trabalho vem crescendo e na última avaliação, (final de 2002) a percentagem de crianças alfabetizadas foi de 81%.

 

2000

Recife, PE – A Cruzada de Ação Social – Divisão de Idosos – desenvolve o projeto Sempre é tempo de aprender – Primeiro grupo de idosos alfabetizados com a cartilha É Tempo de Aprender.

 

2002

Iracema Meireles é incluída no Dicionário de Educadores no Brasil – da Colônia aos dias atuais, organizado por Maria de Lourdes de Albuquerque Fávero e Jader de Medeiros Britto. Editora UFRJ – MEC/INEP, 2002

 

2006

Morre no Rio de Janeiro, Silo Meireles Filho, o maior e mais eficiente defensor do Método Iracema Meireles nos últimos anos.

 

2008

A Casinha Feliz e É Tempo de Aprender passam para a Editora Didática e Científica.

 

2009

A Casinha Feliz é toda reformulada e atualizada, juntamente com o material pedagógico que a acompanha.