Jornal da Casinha Feliz
Ano II - Número 5 - Fevereiro de 2001 - Publicado pela Editora Primeira Impressão
Leia aqui o jornal: número 5 - número 4 - número 3 - número 2 - número 1
 

Problemas de Leitura e Escrita Por Leda Fraguito ( página 2)
Métodos de Alfabetização Por Eloisa Meireles ( página 3)
Boas Notas ( página 4)

EDITORIAL - Tendência Mundial
Para nós brasileiros, diante de tantos fracassos no campo da alfabetização seria salutar lançar os olhos para o mundo e ver o que acontece nos países com alto nível de alfabetização.
O que se faz em outros países? Educadores, pedagogos e pesquisadores da Inglaterra, dos Estados Unidos, da Alemanha, da Itália, do Canadá, de Cuba, de Israel e da Espanha estão preocupados em ensinar - da forma mais eficaz - a ler e escrever. Apontam todos na mesma direção: o ensino do som das letras. Mantêm índices de analfabetismo aceitáveis e criam sucessivas gerações de leitores de sucesso.
É oportuno meditar sobre isso. Educadores, pedagogos e pesquisadores ingleses, americanos, alemães, italianos, canadenses, cubanos, israelenses e espanhóis, alguns reforçados por seus governos, encaram a alfabetização de forma radicalmente diferente de tudo que fazemos aqui. Estão todos preocupados em ensinar a ler e a escrever com eficácia e recomendam o uso de abordagens que contemplem o ensino do som das letras.


Entrevista
Angela Roncisvalle Gonçalves

A Casinha Feliz propicia a construção do processo de lecto-escrita através de brincadeiras, histórias e jogos.

É o que diz a fonoaudiológa Angela Roncisvalle Gonçalves, nossa credenciada de Brasília,em entrevista ao Jornal da Casinha Feliz.

- Como você começou a fazer parte de "A Casinha Feliz"?

- Entrei para A Casinha Feliz vivenciando-a plenamente aos 5 anos quando conheci todos os seus personagens durante a minha alfabetização. Até hoje, ainda guardo na lembrança algumas imagens e histórias.

Com dez anos pude experenciá-la novamente quando acompanhei a alfabetização de meus irmãos menores. Foi emocionante rever a cartilha com toda a sua mágica entrar na nossa casa por meio do aprendizado dos meus irmãos.

Mais tarde, quando estava cursando o Magistério, tive a oportunidade de estagiar na sala de alfabetização da professora Dolores Campos, que além de ser uma excelente alfabetizadora é a ilustradora da cartilha e me ensinou muito sobre o encantamento das histórias junto às crianças e sobre a dinâmica do método.

-É preocupação dos professores alfabetizadores, chegar ao final do ano letivo, vendo sua turma ler e escrever, com desembaraço, diferentes tipos de texto. Como o trabalho com "A Casinha Feliz" ajuda professores e alunos nessa tarefa?

-O método permite que as crianças cheguem antes do final do ano letivo, lendo textos com entonação apropriada. Sabemos que isto só ocorre quando a leitura é realizada com significado. As crianças alfabetizadas por esse método produzem não só textos criativos como apresentam em sua escrita uma preocupação ortográfica . Não é raro uma criança perguntar durante uma produção de texto: -Professora, tal palavra é com "ss" ou "'ç" ? Este nível de questionamento é alcançado pela maioria das crianças somente a partir da 2a série.

-Desde que a teoria construtivista da aprendizagem começou a se firmar entre os educadores, você tem buscado nesse referencial teórico subsídios para o trabalho com o método proposto pela "A Casinha Feliz". Fale-nos sobre este assunto.

- Quando este método é utilizado, observa-se que a criança, mesmo passando por todos os níveis da leitura/ escrita, permanece pouco tempo no nível silábico e silábico- alfabético. Após três meses aproximadamente de trabalho com atividades diversificadas de leitura e escrita constata-se que a maioria das crianças de uma sala de aula já se encontra no nível alfabético. Este fato, além de servir como feedback positivo para a criança que se sente estimulada a criar seus próprios textos, possibilita a interação entre os próprios alunos, criando em sala de aula, um clima genuíno de aprendizagem entre os parceiros. O professor não fica assim como a única fonte de conhecimentos para o processo de construção da leitura e escrita.

Creio que não há incompatibilidade. Mesmo numa abordagem construtivista, o professor alfabetizador pode utilizar a "A Casinha Feliz" como uma ferramenta a mais em sua prática alfabetizadora, já que há um momento em que ele precisa sistematizar o conhecimento, socializando-o para toda classe, sem que isto signifique desrespeito ao ritmo de cada aluno.

- Há algum aspecto, em especial, que você queira destacar?

- Quero dizer ainda que as crianças com "A Casinha Feliz" não são tolhidas prematuramente do contato com o lúdico, pois este método propicia a construção do processo de lecto- escrita através de brincadeiras, histórias e jogos.

O professor que utiliza este método é estimulado a criar, inovar e modificar constantemente a sua prática, já que a própria dinâmica do método possibilita e incentiva essa abertura.

*Especialista em Assuntos Educacionais do Centro de Ensino Tecnológico de Brasília (CETEB) e Fonoaudióloga especializada em Fundamentos de Educação, com área de concentração em Psicologia da Educação. Presta assessoria Fonopedagógica a diversas Escolas e ministrou cursos sobre Desenvolvimento de Leitura e Escrita.


A Casinha Feliz
em Juiz de Fora

Valéria Magalhães, nossa credenciada de Juiz de Fora, está em grande atividade, dando cursos, palestras e entrevistas. Em dezembro, ela levou os moradores da Casinha Feliz para participar do MG-TV da TV Panorama de Juiz de Fora, onde foram "entrevistados" por mais de 5 minutos.

Tribuna de Minas, 29/11/2000.


Alfabetização de crianças e adultos
O Curso de Formação de Alfabetizadores pelo Método Iracema Meireles está pronto e à sua disposição. Peça o folheto explicativo à Editora.

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