Jornal da Casinha Feliz
Ano I - Número 4 - Maio de 2000 - Editado pela Primeira Impressão
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Editorial

É com grande satisfação que comunicamos aos nossos leitores que a partir deste número o Jornal da Casinha Feliz passa a contar com a colaboração da professora Leda Fraguito. Mestra em Educação pela UFRJ, com especialização em Desenvolvimento de Recursos Humanos pela Fundação Getúlio Vargas, Leda é formada pelo Instituto de Educação. Lecionou por mais de 15 anos no Ensino Fundamental, Médio e Normal. Dirigiu o Departamento Geral de Educação da Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro. Coordenou projetos nas áreas de Desenvolvimento Curricular, Integração Cultural, Desenvolvimento Comunitário e Aperfeiçoamento de Professores na Secretaria Estadual de Educação do Rio de Janeiro. Foi Coordenadora Pedagógica do Projeto Vídeo Escola. Atualmente presta Consultoria na área pedagógica.
Chamamos sua atenção nesta edição para a assustadora reportagem da revista ISTOÉ, que reproduzimos em parte, e para as graves acusações do eminente educador espanhol Jurjo Torres Santomé, que afirma serem os Parâmetros Curriculares Nacionais "copiados" do original espanhol.
Estréia a coluna Histórias de Professores e Alunos sob a responsabilidade da professora Eloisa Meireles.

Alfabetização e Letramento
Leda Fraguito


Este assunto me foi sugerido pela professora Sidneya Silva, que trabalha no Município do Rio de Janeiro, e há mais de 20 anos é Credenciada da Casinha Feliz.
Para abordar o assunto escolhi como referencial o livro da professora Magda Soares: "Letramento -- um tema em três gêneros", Belo Horizonte: Autêntica Editora,1998. E mais especificamente o capítulo do livro que se refere ao "Letramento com o texto Didático", redigido para circular entre professores e especialistas que atuam na área de alfabetização e do ensino da leitura e da escrita. Destaquei algumas idéias e as comentei com o objetivo de estabelecer um diálogo com os nossos leitores.
( página 2 )

Entrevista : Jurjo Torres Santomé
UM DOS CRIADORES DA REFORMA CONCLUÍDA NA ESPANHA HÁ NOVE ANOS ADVERTE PARA O PERIGO DE SUPERVALORIZAR TEORIAS PSICOLÓGICAS, COMO O CONSTRUTIVISMO, E ESQUECER O CONTEÚDO
( Transcrito do Caderno Educação do Jornal O Dia de 28/03/2000. Leia resumo na página 3 )

ISTO É 10/Maio/2000 (PÁGINAS 54, 55 e 56 )
ENSINO REPROVADO
No dina vit do de Abinu d doni comi kicna do no ba Basinu terã mlazsa

Esta frase absolutamente incompreensível foi escrita por um aluno de 11 anos da 4a série da rede municipal na zona leste de São Paulo. Esta foi a tentativa fracassada do menino de reproduzir um ditado sugerido por uma professora na sala de aula.:
"No dia 22 de abril, comemoramos os quinhentos anos de nosso Brasil, que é uma terra maravilhosa".
Fatos estarrecedores como este se encontram no número 1597 da revista ISTOÉ. Tomamos ciência de que o estado das coisas no ensino fundamental do País é muito pior do que se poderia imaginar ! Alunos de 16 anos, na 6a série, não sabem ler nem escrever. Professores e diretores entrevistados pela ISTOÉ afirmam que esta situação é comum em qualquer escola localizada em regiões pobres do País. Mais espantoso é o comentário do Ministro da Educação Paulo Renato:" É o fracasso da Escola. Temos de cobrar dos Professores".
A revista se refere ainda a três medidas implantadas no ensino público fundamentel do País que visam à progressão continuada do aluno: aprovação automática, ciclos e classes de aceleração.
Acreditamos que não adianta abolir a repetência por decreto.

A progressão continuada tem que se constituir numa ação que beneficie o aluno. Não deve servir para mascarar estatísticas que tornem o sistema mais produtivo.
O importante é que as escolas tenham condições de enfrentar as situações difíceis com que se deparam: propostas pedagógicas impostas, crianças desassistidas e professores mal remunerados com dupla jornada de trabalho.
Emoldurando este quadro deve ser ressaltado o que disse o educador espanhol Jurjo Torres Santomé: o construtivismo superestima as questões psicológicas em detrimento dos conteúdos programáticos, prejudicando o processo ensino- aprendizagem.
Por isto tudo, os professores que precisam lutar com unhas e dentes para manter identidade e respeito profissionais, bombardeados que são por todos os lados, afirmam: " Não senhor Ministro, não é o fracasso da escola. É o fracasso de uma política educacional que fala muito de respeito ao aluno, o que é absolutamente correto, mas esquece do respeito ao professor".

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