A Casinha feliz
PALAVRA DE PROFESSOR

 

           Em terras pernambucanas, no Recife, nasceu Iracema Elisa da Silva, em 17 de março de 1907. Seus pais, Tito Lívio da Silva e Maria Joana Guerra da Silva, tiveram vários filhos, mas apenas três chegaram à fase adulta: Eulália, Luiz e Iracema, a mais nova.

Casou-se com Sylo Furtado Soares de Meireles, passando a usar o nome completo do marido: Iracema Furtado Soares de Meireles. O casal teve dois filhos: Eloisa e Silo, e seis netos: Heloísa, Marta, Sylo, Clarisse, Silo e Viviana.

Iracema foi criança frágil, razão pela qual só freqüentou a escola menina crescida. Adorava correr pelo quintal da casa. Ali brincava, tendo em Luiz não só um irmão, mas um companheiro e cúmplice frente à sua curiosidade e fantasia. Aventuravam-se pelo quintal, subindo nos arvoredos. Cada um tinha uma árvore predileta e era na altura de suas copas que eles se comunicavam, dialogando e expandindo sua imaginação. A árvore era casa, escritório, escola, local de leituras. Ali Iracema lia histórias, os contos maravilhosos, e aprendia as primeiras lições.

Iracema já chegou à escola sabendo ler com desenvoltura, num pensar livre. Mais tarde sua família transferiu-se para Salvador. Estudou e formou-se na Escola Normal da Bahia (1926).
De volta a Recife, fez o Curso Pedagógico - equivalente hoje ao de Pedagogia - no Colégio Pritaneu. Destacou-se como aluna brilhante, despertando a atenção dos professores que a admiravam pela inteligência e capacidade de propor questões. Debatia, então, os papéis que a sociedade atribuía a homens e mulheres.
Solidarizava-se com os excluídos da sociedade. Chamava atenção pela sua fala, seus pontos de vista e pelo profundo respeito que dispensava a qualquer pessoa, independente da maneira de ser e de se posicionar no mundo.
Viajou à Europa, demorando-se em Portugal, na França e na Alemanha. Esta viagem teve influência na sua formação.

Muito jovem, submeteu-se a concurso para professora primária e começou a lecionar na rede pública do Estado de Pernambuco. Dava também aulas particulares para filhos de famílias da elite intelectual, o que a levou a conhecer pessoas diversas e a participar de reuniões nas quais eram discutidos problemas de toda ordem. Daí, talvez, sua inclinação, para as questões políticas e sociais.

Em meio às suas indagações, veio também a religiosa. Mesmo de família católica, educada em colégio de freiras, a jovem Iracema se entusiasmou com o marxismo e tornou-se simpatizante do Partido Comunista. Sensível às condições de miséria e exclusão dos seus alunos da escola pública, das condições dos meninos que nem escola tinham, passou a acreditar que o caminho para a integração daquelas crianças seria a mudança de regime político. Entrou na luta por uma justiça social que pudesse melhorar a vida das populações marginalizadas. Não era uma radical, mas se empenhou sinceramente por uma democracia que se estendesse do nível político ao econômico e social. E acreditava que o caminho era o socialismo. Nunca se filiou ao Partido Comunista, mas os amigos e parceiros de idéias respeitavam suas opiniões. Em decorrência da confiança que nela depositavam, Iracema assumiu a responsabilidade de alugar uma casa para um companheiro clandestino que chegara da União Soviética com a missão de ajudar a organizar o movimento comunista em Pernambuco.

Foi assim que Iracema conheceu Sylo Meireles, que veio a ser seu marido e pai de seus dois filhos. Pouco depois, eclodiu o movimento comunista de 1935. Derrotado o movimento, Sylo foi preso e Iracema demitida do serviço público do Estado. Nesse tempo, além de ser professora, estudava Medicina. Parou tudo e passou a se envolver com as lutas pela garantia de vida dos presos políticos.

A repressão do Governo Vargas se intensificava e os boatos de que iam fuzilar os líderes do movimento a deixavam desesperada. Sylo Meireles estava na prisão, incomunicável, e assim ficou por dois anos. O casal ficou sem se ver. Da família, apenas o irmão Luiz sabia da relação entre os dois.

Em 1938, Sylo foi transferido para um pavilhão coletivo na mesma prisão,* momento em que Iracema voltou a vê-lo e suas visitas à penitenciária representavam um conforto não apenas para Sylo mas para todos os companheiros. Nessas ocasiões ela presenteava-os com lápis-portadores-de-mensagens. Retirava os grafites e, no vazio, colocava com cuidado e disfarce as notícias dos jornais. Foi a forma que encontrou de colocar os amigos presos a par da situação política do momento.

Resolveram casar-se no civil e passaram a ter maiores regalias no horário de visitas. Devido ao seu estado de saúde, Sylo foi transferido para uma prisão hospitalar, no Rio de Janeiro. Iracema conseguiu, através de amigos, uma licença especial para acompanhá-lo, já na condição de esposa. O casal passou a noite de núpcias na Casa de Saúde São Jorge, no Andaraí.
Neste mesmo hospital, em 1940, nasceu a primeira filha, Eloísa, que futuramente seria sua companheira no trabalho de educação e seguidora de sua obra.

Em apartamento alugado por seu irmão Luiz no mesmo bairro do Andaraí, pôde Iracema dar maior assistência a Sylo, preso e doente, no hospital.

Após a liberdade do marido e agora com mais um filho recém-nascido, Iracema passou por momentos delicados ante a dificuldade de conseguir emprego, até que Sylo foi convocado por seu amigo João Alberto Lins de Barros para trabalhar na Fundação Brasil Central, em Caiapônia, Goiás. Só então Iracema pôde retomar o trabalho de educação. Aproximou-se de um grupo escolar da cidade e atuou voluntariamente.

Meses depois, a família se transferiu para Uberlândia, Minas Gerais, onde Sylo passou a exercer a função de chefe do escritório local da Fundação Brasil Central. Alí, morando em uma chácara fora da cidade, Iracema Meireles começou a dar aulas para pessoas da redondeza, e, em casa, alfabetizou a filha.
De volta ao Rio de Janeiro, em 1948, tentou sem sucesso, ingressar no ensino público do Distrito Federal. Não havia concurso, não havia possibilidade de transferência por ter sido demitida em seu estado natal. Era uma entusiasta da matemática. Preocupava-se em encontrar diferentes alternativas para resolver os problemas. Gostava da eficácia dos jogos que impulsionam ludicamente as soluções. Sua acuidade social e humana levou-a gradativamente a refletir sobre alfabetização, especialmente daqueles que não conseguiam aprender na escola.

A partir da década de 50, a alfabetização tornou-se o cerne dos seus interesses de estudo.
Lia tudo a respeito, acompanhava as experiências pioneiras da Escola Guatemala e começou a pôr em prática suas idéias sobre o assunto com um grupo de crianças. Tinha sensibilidade bastante aguda e a prática de sala de aula necessária para saber que alfabetizar em grupo é bem diferente de alfabetizar uma criança isolada. Na alfabetização individual, dizia ela, o professor pode prescindir até de método. Basta acompanhar a criança e colocar desafios de leitura em seu caminho. Já num grupo, se o professor não descobrir a forma de atingir todas as crianças, fatalmente muitas ficarão para trás. Daí a necessidade de um método.

Em 1952, colaborou na fundação de um colégio em Lins de Vasconcelos. Ali começou a experimentar caminhos que trouxessem maior consistência à sua pesquisa no trabalho de alfabetização em grupo.

Percebe-se então a futura opção pelo método fonético. Utiliza o método de sentenciação, mas dá ênfase ao ensino das relações entre os sons da fala e as letras. Envolve letras e grupos de letras com figuras que sugerem seus sons. Apresenta estas figuras de forma individualizada e numa sequência pré-estabelecida. Estimula o reconhecimento e a emissão dos fonemas.
Encoraja a leitura oral de palavras e frases. Usa estratégias para desenvolver a compreensão do que é lido. Em paralelo, trata da aquisição da habilidade da escrita (Meireles Filho, Silo. 2002)

Em 5 de julho de 1954, fundou a Escola de Brinquedo em Ipanema, onde se propunha realizar uma experiência de aprendizagem ligada ao jogo. Criava formas fáceis e divertidas de ensinar coisas difíceis. As crianças embarcavam com ela nessa aventura de aprender. Uns iam mais de pressa, outros mais devagar, todos chegavam, porque ela acreditava e punha em prática os recursos de que o professor deve lançar mão para ir “lá no fundo” de cada criança, atingindo o seu potencial, às vezes adormecido e despercebido. Acreditava que a aprendizagem é também condição para o desenvolvimento. Fazia da sala de aula o local da aprendizagem como espaço de descoberta, onde a mola propulsora era a curiosidade de aprender. O simples nome Escola de Brinquedo reflete a importância do ato de brincar como força interna no crescimento da criança

Nessa escola Iracema intensificou suas buscas e iniciou uma fase importante de investigação dedicada à alfabetização. Em 1957, interrompeu seu trabalho por conta da doença e morte de seu marido, o que a abalou profundamente.
A Escola de Brinquedo passou a se chamar Instituto Sylo Meirelles, com grafia original do nome de seu marido.

Iracema se pôs inteira na alfabetização. Observando as turmas que aprendiam a ler notou que as crianças, além de gostarem, não esqueciam a história: história que conduziria à sentença e, também, ao jogo, ao brinquedo; “mesmo porque, para a criança, o brinquedo é uma forma embrionária de trabalho”
(Meireles,2000,p.31), assegurava Iracema. Foi por aí que avançou, dando um grande salto: passou a contar histórias para apresentar as letras. Era a Casinha Feliz, história que motivava a alfabetização.

“Foi uma ousadia para a época. Da história à letra. Da letra à palavra. As crianças aprendiam a ler com tal rapidez que a própria Iracema se espantava” (Meireles,2000, p.28).

Mas Iracema queria mais, pretendia voltar às escolas públicas. Em 1961, deu-se a experiência em classe de alfabetização com crianças da Escola Municipal Arthur Ramos, sob a direção da professora Francisca Horácio, que abriu as portas para o novo método. Houve grande repercussão e a Chefia do Distrito Educacional enviou relatório para a Escola Guatemala, eixo experimental e centro de estudos da Secretaria de Educação. A notícia do novo método chegou ao MEC.

Em 1962, o MEC acompanhou uma turma de crianças se alfabetizando pela Casinha Feliz na Escola Municipal Parque Proletário da Gávea. A professora Consuelo Pinheiro, que supervisionou o trabalho, registrou em relatório: “O método de Iracema Meireles difere de qualquer outro processo do meu conhecimento” (Meireles, 2001).
Com base no bom resultado da experiência observada melo MEC, a professora Carmem Teixeira, diretora do Centro Educacional Carneiro Ribeiro, em Salvador, Bahia, decidiu utilizar o novo método de alfabetização nas Escolas-Classe. Foi nessa ocasião que o Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos (INEP) levantou uma questão: como são alfabetizadas as crianças do Centro Educacional Carneiro Ribeiro? Em resposta a essa indagação, a Professora Terezinha Éboli, então Coordenadora de Cursos de Aperfeiçoamento do Magistério no Centro Regional de Pesquisas Educacionais da Bahia, assinala que “a maioria é alfabetizada pelo método fônico” (Éboli, 2000, p.21). Era o método de Iracema Meireles.

Como conseqüência da experiência realizada na Bahia, saía em outubro, a pedido do educador Anísio Teixeira, a primeira edição da cartilha, publicada com o nome de História da Casinha Feliz, em 3 volumes, 4 cores, ilustrada por Aldemar d’Abreu Pereira, uma edição do INEP - MEC que não podia ser comercializada.

Em março de 1963, Iracema apresentava, pela primeira vez, seu método à imprensa, ao ser entrevistada pela Revista do Ensino, em reportagem que repercutiu por todo Brasil:

Não inventei nada. Na minha vida de magistério, aprendi a observar a criança, o seu modo de agir e reagir, as suas dificuldades pessoais (...). Creio que a professora é tanto mais professora quanto mais ou melhor entende os seus alunos. O êxito da criança na aprendizagem (portanto êxito também da professora) depende muito mais do que a professora recebe da criança, do que daquilo que ela lhe dá. Se a mestra sabe receber, isto é, aceitar o aluno como ele é, atentar para o que ele traz ou necessita, então tudo dá certo. Como considerar novo nosso método se, durante mais de dez anos, nós o aprendemos, nós o estudamos em um livro imenso e belo - a criança. Nosso, era só o empenho, o propósito de proporcionar às crianças que aprendiam a ler e a escrever uma situação emocional boa, ou mesmo ótima, se possível. Mas isso só se consegue com um mínimo de esforço de memória e o máximo de interesse.

O método Iracema Meireles - global-fonético - caracteriza-se pela originalidade, leveza e eficácia. Tem como ponto de partida a letra contextualizada. Essas letras são apresentadas como personagens do cotidiano, cujas imagens contêm os grafemas e cujas vozes sugerem os fonemas. Da união desses personagens, que a autora chamou de figuras-fonema, surgem as palavras. A associação dos fonemas a imagens do cotidiano permite que as letras se aproximem do aluno de forma lúdica, tornando a aprendizagem fácil, prazerosa e rápida. A escrita acompanha a leitura e a duração média do processo de alfabetização é de três meses, com os alunos lendo e escrevendo textos com autonomia.

O método Iracema Meireles favorece a aquisição e o desenvolvimento da consciência fonêmica e utiliza a instrução fônica sistemática sintética. O lúdico e o multissensorial contornam a aridez da memorização da relação grafema-fonema e são catalizadores da motivação e do aprendizado. (Meireles Filho, 2002)

A partir daí, o trabalho de Iracema Meireles se expandiu. Carregando sua maleta “cheia de histórias e personagens”, ela esboçou uma trilha e travou uma luta. Como se fora um D. Quixote de La Mancha, como uma andarilha, levou para diferentes ambientes seus sons, letras, criando e contando histórias, a partir do interesse do seu ouvinte. Assim, ela chegou às favelas, alfabetizando, em 1962, crianças e adultos na Catacumba e na Praia do Pinto. Na Escola Bombeiro Geraldo Dias, em 1962, ela alfabetizou crianças repetentes com distúrbios de conduta. No hospital de Curicica, no Rio de Janeiro, fez um trabalho de alfabetização com adultos doentes de tuberculose em 1965. Na Escola Cócio Barcellos, alfabetizou adultos do curso supletivo, em 1966.
Entre 1967 e 1970, continuou o seu trabalho envolvendo crianças, adultos, idosos, funcionários civis e soldados.

Da experiência com os soldados, resultou a Cartilha do Soldado, com apresentação do Professor Lourenço Filho:

Há alguns anos, as Professoras Iracema Meireles e Eloísa Meireles Gesteira criaram um método de alfabetização (...) cujos resultados em turmas de crianças têm sido excelentes, conforme tivemos ocasião de verificar em escolas primárias comuns.
… o material linguistico selecionado e graduado aproveita as vantagens de nossa língua, na aprendizagem em vista, quais sejam as de regularidade fonética e composição silábica regular da maioria das palavras.
Nos países de língua de escrita fonética quase regular, como o português e o espanhol, a adoção de tal forma didática se impõe, pois desprezá-la seria como um contra-senso. (Lourenço Filho, 1972, p. 78)


A Casinha Feliz foi editada comercialmente em 1970, pela Editora Record, com ilustrações bem próximas da criança, de Maria Dolores Coni Campos. As 34 edições, de 40 mil exemplares cada, passaram por contínuas revisões. A partir de 1999, a Editora Primeira impressão assumiu a responsabilidade de publicá-la.

O Trabalho de Iracema Meireles difundiu-se por todo o Brasil. Como era a pessoa extremamente ligada às questões sociais e sempre preocupada com o destino do País, fez da ação pedagógica seu instrumento de luta política. Aquela jovem militante de esquerda do passado deslocou o eixo de sua atuação. Foi categórica: “minha luta é pela alfabetização dos brasileiros” (Meireles, 2001)

Apreciando o Método de Iracema Meireles, o Professor Rocha Lima assim se expressou:

...a meio caminho dos processos clássicos da soletração, da silabação e da globalização, não se acorrenta ortodoxamente a nenhum deles, porém não deixa de aproveitar, em suas grandes linhas, alguma coisa da filosofia que a cada um deles lastreia. Mas dá um passo adiante: além de assentar em recursos lúdicos sobremodo criativos, associando a imagem acústica à imagem visual por intermédio do conceito de figura-fonema, observa, com rigorosa exatidão as oposições características do sistema fonólogico do idioma, o que, a meu ver, seria suficiente para assegurar-lhe a eficácia. (Rocha Lima, 1967).

A luta de Iracema pela escola pública se deu no corpo-a-corpo com o aluno. Passou toda a vida indo a lugares os mais distantes para atender chamados que vinham do Brasil inteiro. Capacitou professores e agentes comunitários, sempre sensível à dimensão política.

Estudava e lia regularmente, acompanhava os desenvolvimentos teóricos da pedagogia contemporânea. Fez outros cursos, como Fonoaudiologia, aos 60 anos de idade.
Seu objetivo sempre foi aprender mais para ensinar melhor. Onde houvesse alguém para aprender, ela iria a fim de ensinar. Segundo ela, não havia criança, jovem ou adulto que não pudesse ser estimulado a aprender a ler. Era hábil em descobrir o “jeito” de cada um. Andou por todo o País, levando sua palavra de entusiasmo a quantos a convidavam.

Jamais recebeu pagamento por esses cursos e trabalhos. Nem exerceu cargos públicos. Sua única e permanente tribuna foi a sala de aula; quando não o era formalmente, fazia com que se tornasse. Assim, alfabetizou em varandas, debaixo de árvores, à beira da praia. Sua capacidade de escutar e respeitar o outro era marcante. Trabalhou atenta às dificuldades e diferenças individuais dos alunos. Quem conviveu com ela no seu cotidiano testemunhou a coerência entre pensamento, ação e vida, a começar pela delicadeza com que tratava aqueles que a serviam.
Era permanente sua inquietude com a condição de marginalização a que ficam relegados aqueles que têm baixo ou nenhum poder aquisitivo.

No I Congresso Brasileiro de Terapia da Palavra, em 1969, no Rio de Janeiro, Iracema fez pronunciamento centrado na alfabetização. Em determinado momento, ressaltou:

Num país como o nosso, onde o analfabetismo desgraçadamente atinge os tristes índices tão nossos conhecidos, o problema da alfabetização do adulto apresenta-se de magna importância. Pode e deve ser considerado verdadeiro problema de defesa da nossa nacionalidade. Na qualidade de velha professora primária, cuidando nos últimos anos em especial de alfabetização, não posso deixar de voltar os olhos com tristeza para o analfabeto adulto de nossa terra, vendo-o ainda tão numeroso, quase às portas do ultimo quartel do século xx (Meireles, 1969)

Iracema Meireles recebeu em 1971, a Medalha do Pacificador, conferida pelo Ministro do Exército em virtude dos relevantes serviços prestados à alfabetização de adultos. Ao caminhar pelo Brasil, marcou uma trajetória de iniciativas e ações dedicadas à educação e à questão social. Indo ao encontro daqueles que precisavam sair da marginalização, como os analfabetos. Ela afirmava que “a alfabetização é condição quase imprescindível para a conscientização do indivíduo” (Meireles, 2001).
Lutou tenazmente pela dignidade do ser humano que precisava tornar-se um leitor consciente e participativo nas mudanças do seu país.

Criou um método de alfabetização que, depois de sua morte, passou a chamar-se Método Iracema Meireles. Escreveu cinco livros:
A Casinha Feliz, É tempo de Aprender, Histórias da Vovó Marieta, Outras Histórias da Vovó Marieta e Novas Histórias da Vovó Marieta.

Na Editora Primeira Impressão, encontra-se o acervo da família, dele constando registros da vida e da obra de Iracema Meireles. São cartilhas, depoimentos, avaliações, relatórios, umas poucas fotos, cartas de pessoas e de alunos que falam sobre o seu trabalho na educação. O método fônico idealizado por ela é aplicado no Brasil em amplitude considerável e inquestionável eficácia.

Morreu em 9 de março de 1982, no Rio de Janeiro.

Referências Bibliográficas:

Éboli, Terezinha. Uma experiência de educação integral; Centro Educacional Carneiro Ribeiro. 4 ed. Rio de Janeiro: Gryphus,p 21, 2000. Iracema Meireles. Revista do Ensino. v. 12, n.90. Rio Grande do Sul: Secretaria de Educação e Cultura, p. 10, mar 1963. Lourenço Filho, Manoel Bergström. Parecer técnico sobre o método de alfabetização de Iracema Meireles e Eloísa Meireles Gesteira. Rio de Janeiro. Acervo da família, 1965. Meireles, Eloísa. Curso de formação de alfabetizadores pelo método Iracema Meireles. Rio de Janeiro: Editora Primeira Impressão, p.28 e 31, 2000._. Entrevista concedida à autora do verbete. Rio de Janeiro, set. 2001. Meireles, Iracema. O disléxico adulto e sua alfabetização. In: I Congresso Brasileiro de Terapia da Palavra. Rio de Janeiro, 1969. Meireles Filho, Silo. Depoimento concedido à autora do verbete. Rio de Janeiro, jan. 2002. Rocha Lima, Carlos Henrique da. Parecer Técnico sobre o Método Iracema Meireles. Rio de Janeiro. Acervo da família, 1967.

Maria Dolores Coni Campos

Educadora, mestra em educação, especialista em leitura, teoria e prática em Educação infantil.Tem artigos publicados em revistas, livros e jornais. É autora de Conversas com a Bahia: história de Lena, Elza e Zara. Ilustradora de A Casinha Feliz.
Realiza trabalhos em Encontros de Conversas quando troca experiências.
Endereço: SQN 402 bl. O apto 309. Brasília
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