A Casinha feliz
PALAVRA DE PROFESSOR

 

Olá.

Sou da Bahia e neta de uma professora aposentada que recebeu treinamento da própria Iracema Meireles e aplicou o método Casinha Feliz por aqui por mais ou menos oito anos, com ótimos resultados. Levava por volta de três meses para alunos que chegavam sem nunca terem pego em lápis estarem lendo fluentemente - e os primeiros 15 dias eram de coordenação motora, para deixar a mão leve, como minha avó diz.

Minha avó me contou que, na época em que foi introduzido o método construtivista, as escolas receberam montes do material novo e foram espalhados boatos de que o método fônico causava gagueira e outros problemas. Ela havia alfabetizado, talvez, centenas de alunos àquela altura e sabia que isso não era verdade. Ao contrário: o que ela viu foi que os alunos passaram a demorar um ano inteiro ou mais para chegar no estágio em que, por anos, turma após turma, chegavam naqueles três meses.

Então, minha avó ignorou a ordem. Recusou-se a usar o material novo - na época era "Método Alfa",- disfarçou o Casinha Feliz com um pouco do método global, e continuou tudo mais ou menos como antes para os alunos dela. Mas já faz tempo que ela se aposentou.

Minha irmã, de cinco anos, está aprendendo a ler agora e sentia-se cansada e muito exigida na escolinha em que estuda. Então, no segundo semestre, eu a ajudei com as tarefas e comecei a corrigí-la. Melhorou. Agora ela vive lendo, quebra as palavras em letras e se esforça para juntar os fonemas. Nunca mais reclamou da escola, mas ainda reclama um pouco das tarefas - que me parecem muitas mesmo e, às vezes, com exigências que ela não pode bem cumprir.

Se as tarefas são muitas e estão além do que pode a menina, paradoxalmente, a professora também aceita qualquer resultado, não faz esforço para capacitá-la e conta que ela melhore espontaneamente tornando o processo desnecessariamente lento e cansativo.

Como Claudinha não é corrigia na escola, ela teve, e ainda tem, certa resistência a ser corrigida em casa - não percebe a correção como uma coisa natural do aprendizado, mas como uma censura a ela. Defendia-se com uma frase feita que não me lembro agora e alegando que a professora aceita a tarefa do jeito que está. Ela me disse que a professora não ensina: coloca as palavras no quadro, lê, e eles, os aluninhos é que descobrem como formar as palavras.

Tudo isto me parece uma mistura terrível de excesso e falta de exigência ao mesmo tempo, de tornar o processo tão difícil que a criança cansa de ler antes de começar a ler de fato. Minha mãe, que foi alfabetizada pelo método Casinha Feliz, - e que escreve exemplarmente - atribui a isso o pouco gosto pela leitura das novas gerações. Eu acho que ela está certa.

Obrigada pela atenção.

Tawnee Pedreira.